quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

olhando pra dentro
eu vejo que falta algo,
foi levado, quebrado, subtraído, tirado
eu sei quando aconteceu, eu sei como...
mas não sei o que perdi

sei que me senti ingênuo, burro, inocente
que não levei à sério: meus instintos e seus sinais
acreditei em invenções de minha cabeça
e paguei com o fim das criações de minha mente

escrever é tão difícil
nada mais sai como antes
não dá o mesmo prazer
inspirações são cada dia mais raras
eu olho e percebo o quanto fiquei cético

sempre desconfio
tudo parece um jogo
tudo parece fingido
tudo é raso
e eu?
eu sou o idiota que apostou no time errado
que apostou na zebra

que se sentiu especial, será diferente comigo
olhando pra trás da vontade de rir de tamanha inocência
a mentira contada
a história errada
violado
no mais intimo
no mais raro
na crença
na esperança

um monte de textos jogados na lama
palavras ao vento
assassina em minha cama
e como o drácula, entrou por convite
minhas defesas eu desliguei
meus labirintos eu mesmo percorri

e agora no fim me sinto roubado
cada espelho partido e sua maldição
me olho e não mais me vejo
coadjuvante de filme de ação
apenas uma anedota
um adorno de sua prisão

e o poeta que fui está num caixão
aqui jaz sem saída, só silêncio
um momento de choro é perfeição
tudo se esvai
enquanto minha caneta cai
do alto até o chão
e fui eu que a soltei, para segurar sua mão

maldita escolha
abrir a caixa de pandora
todos demônios aqui entraram
e foi com a minha permissão

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